sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Fogo (muy) amigo

Torre de papel

 

O sonho de todo profissional que trabalha na TV Educativa é ver a imagem da emissora ser captada em todo o estado de Alagoas. Afinal, ninguém gosta de produzir ou apresentar programas numa TV que ninguém vê. Há muito se sabe que o problema da falta de alcance está nas “zonas de sombra” que a torre atual, mal localizada, não consegue superar. Técnicos chegaram à conclusão que somente uma nova torre, implantada em lugar adequado, poderia equacionar o débil e anemico sinal da TV pública das Alagoas.
A atual gestão do IZP iniciou estudos para resolver o impasse. Mas nunca o debateu com a devida profundidade e transparência com a ATRIZP, entidade que representa os servidores, e que poderia contribuir para que soluções fossem encontradas em prazo razoável.
Agora, de repente, a toque de caixa, e na reta final da campanha eleitoral, alguém derrubou quatro coqueiros da pracinha defronte à entrada da TV, cercou o local, construiu fundações e começou a levantar algo parecido com uma torre.
A maioria absoluta dos servidores não tem a mínima idéia de onde vem o dinheiro para a empreitada, qual a empresa encarregada da obra, ou mesmo o nome do engenheiro responsável pela construção, já que a ausência de placas identificadoras no local, exigência prevista em lei, espraia uma névoa de mistério em torno do projeto.
Também não existe qualquer indicativo de que a obra, até agora fantasma, tenha passado pela fiscalização do IBAMA, órgão encarregado de emitir laudos sobre o impacto ambiental que uma construção desse tipo e porte pode causar ao meio ambiente.
É importante lembrar que a torre, por meio do transmissor, emite radiação voltaica que atinge seus arredores com grande potência, podendo causar doenças graves como o câncer e a leucemia.
Para quem não sabe, a estrutura está sendo erguida dentro do CEPA, complexo escolar onde estudam centenas crianças e adolescentes que, segundo estudos da Organização Mundial de Saúde, são os mais vulneráveis a este tipo de radiação.
Diante de tantas possíveis irregularidades e da incerteza da validade técnica da tal torre, um grupo de servidores protocolou ofício junto ao Conselho Regional de Engenheira pedindo investigação sobre a legalidade da obra.
Outros ofícios foram encaminhados ao IBAMA e ao Ministério Público solicitando que esses órgãos investiguem quem está por trás da misteriosa construção, quais interesses ela serve, e que medidas podem ser aplicadas para garantir a preservação da saúde de tantos quantos poderão sofrer as conseqüências desastrosas da radiação.
Entre 28 e 30 de setembro, dois operários que trabalham na construção da torre se acidentaram. Um deles machucou o rosto ao ser atingido por uma viga de metal. Outro escorregou e ficou pendurado pelo cinto de segurança, batendo o corpo na estrutura. Com ferimentos nos braços, pernas e cabeça foi  socorrido pelo SAMU e afastado do trabalho por tempo indeterminado.



Maquiagem eleitoreira

Tudo se torna fácil em período eleitoral. Veja, por exemplo, as dependências do IZP. Sujas e abandonadas à própria sorte desde janeiro de 2007, agora, véspera de eleição, recebem providencial maquiagem. Lavagem, pintura, eletrificação, sinalização interna, sofás e poltronas novos na recepção, e até um painel homenageando os servidores risonhos e mal pagos faz parte do pacote caça votos.
Em apenas um mês este governo, danado de bom, executou obras que os servidores reivindicavam há quase quatro anos. O caixa tucano, que, segundo a Gestão Pública, andava franciscano, de repente ficou gordo e generoso, refletindo até no entorno. É só reparar no CEPA.
O complexo educacional, que abriga 11 escolas mais o IZP, também não escapou da maquiagem. A piscina, que o governo chama de "conjunto aquático", e que até a pouco foi criadouro de sapos cururu e mosquitos da dengue, sofreu reforma relâmpago.
As guaritas velhas foram derrubadas e outras construídas em tempo recorde; a grama está sendo cortada e os buracos do campo de futebol tapados; o meio-fio retocado com tinta de primeira; cancelas de ferro nas entradas pretendem controlar o tráfego, enquanto o policiamento promete coibir o tráfico e proteger as autoridades no dia da inauguração. Tudo pelo bem de Alagoas, claro.




Notas pertinentes



  • Abriu-se, na Rádio Educativa, um generoso espaço para os políticos engajados no atual governo. Os chamados “amigos da casa” transformaram as manhãs da emissora num festival de abobrinhas que assola os ouvidos mais sensíves. Antigos e fiéis ouvintes estão indignados com o esquema chapa-branca, que tem provocado fuga de audiência. Muitos acham que a atração deveria se chamar “palanque matinal”. Bom nome, concorda ?

  • O servidor, que trabalha dentro da lei, quer saber dos gestores do IZP como foi celebrado o “acordo” que dispensou um cinegrafista para que o mesmo atue na campanha tucana. E também em que condições foi contratado o “fantasma” que o substitui.  

  • O servidor quer saber ainda que tipo de serviço vem sendo executado por uma equipe da TVE, que desde que a campanha política teve início, vive nas ruas fazendo externas, mas cujo produto do trabalho ninguém conhece.

  • Como nunca há equipe disponível para atender às produções dos programas da Casa, acredita-se que o referido “pessoal de externa” anda empenhado em alguma tarefa muito além da capacidade operacional e intelectual dos profissionais disponíveis no Instituto.

  • Outra curiosidade do servidor é quanto ao grande número de pára-quedistas que vêm pousando no IZP nos últimos meses. Esse povo vem ocupando, sem a menor cerimônia, o lugar dos concursados na produção e na apresentação dos programas. O DRT já foi informado.

  • Ainda neste rastro, o servidor vem notando a ausência de um certo diretor. Ausente de seu posto de trabalho no IZP, a figura pode ser encontrada diariamnte suando a camisa (azul) num comitê eleitoral no interior do Estado. 

  • Um companheiro de uma das emissoras do IZP foi vítima de um recado mal repassado. O rapaz, gente boa, telefonou a um dos colega de setor e pediu: "amigo, se alguém perguntar por mim, diga que eu fui para a portaria". Minutos depois, liga uma mulher e pergunta pelo rapaz. O colega, ainda sob efeito da ressaca provocada pela  farra da noite anterior, deu o recado de bate-pronto, mas trocou duas letras da palavra-chave: "olha, dona, ele mandou avisar que foi para a putaria". A mulher que ligou é esposa do infeliz e, por isso, ele faz um apelo dramático para que  O Tagarela promova uma campanha urgente que seja capaz de convencer a esposa a deixá-lo voltar para o doce lar.                         

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Arquivo do blog