domingo, 12 de dezembro de 2010

O Tagarela - Edição nº 3

Editorial

Mais quatro anos de miséria!

Passado um mês e meio da eleição que deu um segundo mandato a Teotônio Villela Filho, o servidor público estadual continua sem a mínima perspectiva de receber reajuste salarial ou reposição inflacionária que possam aliviar sua precária condição financeira.
Durante a campanha, o candidato tucano prometeu que as categorias que não foram contempladas com qualquer reajuste durante os quatros anos de sua pífia gestão, seriam as primeiras beneficiadas neste segundo governo.
Entretanto, o que se vê nesses 45 dias pós-eleitorais é o som de um discurso evasivo e tosco de uma gestão que, ao que tudo indica, vai continuar tratando o servidor com o descaso de sempre.
Nunca é demais lembrar que o PSDB tem como filosofia de governo o “Estado Mínimo”. Em outras palavras, privatizar os serviços públicos, entregando aos amigos do Poder áreas fundamentais como Saúde, Educação, Segurança, Habita-ção, etc., numa política clara de desvalorização do funcionalismo.
Se depender dos tucanos, os servidores estaduais serão extintos gradualmente. A primeira providência para isso está em curso há quatro anos: o achatamento salarial. Ao se sentir desprestigiado e na miséria, o servidor acaba deixando o Estado em busca de um trabalho que lhe proporcione condições para sustentar a família com dignidade, abrindo, assim, caminho para os comissionados, cujo único compromisso se baseia no atendimento dos interesses pessoais e no fortalecimento político de seus padrinhos.
Assim como em outras áreas e autarquias, a situação no IZP é de penúria (leia a tabela salarial na edição nº1). Nesses quatro anos, sem nenhum centavo de reajuste, dezenas de companheiros competentes já debandaram, inviabilizando a melhoria da grade de programação. O desânimo toma conta de produtores, repórteres, técnicos, apresentadores, locutores e profissionais dos setores administrativos e de serviços gerais, que não sabem como irão suportar mais quatro anos de descaso.
Neste contexto, O Tagarela acredita que a única forma de se pressionar o governo a olhar para as condições lasti-máveis dos trabalhadores do IZP, é a união com as outras categorias de servidores por meio da Central Única dos Trabalhadores, que congrega todos os grandes sindicatos e associações do Estado e dispõe de meios de mobilização de massa, instrumentos necessários à luta em comum.
Só assim, caminhando e combatendo juntas, as forças produtoras alagoanas poderão se organizar para denunciar a exploração que o funcionalismo está submetido e cobrar do governo a execução das promessas de campanha. Sem isso, estaremos marchando inevitavelmente para extinção, fato que, com certeza, trará imensa felicidade aos tucanos, inimigos dos servidores.

Artigos

Recado aos picaretas

*João Marcos Carvalho 

Dirijo-me aos picaretas de plantão para anunciar que O Tagarela segue firme e forte em sua missão de de-nunciar os desvios de con-duta e outras bandalheiras que possam prejudicar o servidor honesto ou man-char a reputação do IZP.
Uma reunião realizada na Casa Grande no final da manhã de quinta-feira (9/12) mostrou que os atingidos pelas denúncias do jornal querem a cabeça de seus editores e, por isso, procuram nos estatutos e nas leis fórmulas que possam fulminar este pequeno periódico, junto com quem o edita.
Falando em meu nome, devo alertar a esse grupelho (cada vez mais diminuto), que este escaldado jornalista que vos escreve não teme pressões, cara feia, processos ou trabuco. Com 38 anos de profissão, já encarei calúnias, difamações, censuras, pistoleiros e cadeia. A essa altura na vida, não é uma malta desbaratada que vai me fazer recuar na luta.
Mas a longa trajetória pelas estradas do ofício que abraço desde muito jovem, ensinou-me a não subestimar os inimigos. Saibam todos que O Tagarela e seus editores estão absolutamente preparados, no campo jurídico, para enfrentar as armadilhas sórdidas plantadas pelo caminho. E que não vacilaremos em utilizar os meios legais disponíveis para revidar aos ataques e buscar a punição dos detratores.
A extraordinária repercussão de nossas duas primeiras edições nos anima a prosseguir na jornada em busca da ética e da transparência que o IZP deve ter enquanto mídia pública, vigiando para que os interesses do povo alagoano prevaleçam acima dos caprichos de ocasião de grupos ou governos.
A enorme quantidade de apoios que temos recebido, seja pessoalmente ou por meio de correio eletrônico e telefone-mas, mostra que estamos no rumo certo. A solidariedade cada vez maior de companheiros e companheiras à nossa causa é aditivo fundamental no combustível de nossas convicções.
Isso tudo demonstra que a maioria dos profissionais da Casa é composta de gente da melhor índole, e que sabe dife-renciar claramente lutas coletivas, de interesses pessoais. Quem age e pensa assim terá sempre O Tagarela como porta-voz. Este jornal veio para ficar e fortalecer o bloco dos que não transigem com a picaretagem e nem se rendem às maracutaias ou ao oportunismo barato.
Sei que para muitos o serviço público representa um meio de botar o burro na sombra e de se locupletar. Mas, aqui no IZP, quem ousar trilhar por essa vereda obscura terá, com certeza, O Tagarela fungando na nuca. Como o beija-flor que tenta apagar o incêndio da floresta, faremos a nossa parte. Se um dia cairmos, cairemos lutando, certos de termos travado o bom combate.

* jornalista, radialista e historiador


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Cortinas para o futuro

* Mácleim Damasceno

Não me interessa as incertezas do amanhã, pois sei que em qualquer época a estética singular da mú-sica alagoana, pela diversi-dade que lhe é peculiar, continuará a ser alimentada e fortalecida pelo grande útero apolíneo.
Não é preciso ser oriental para se apropriar de um profundo sentimento de respeito, carinho e admiração aos que atingiram a longevidade. Não, não é preciso. O tempo – e tudo que lhe é implícito – nos orienta ao rumo certo. Ao sermos capazes de acumular grãos de conhecimentos e transformá-los em sabedoria prenhe de passado, fortalecemos o presente como uma ampulheta cujo espaço-tempo se refaz a cada inversão, materializando a lógica imperceptível à moldura do imaterial. Aos que ultra-passaram os umbrais dos séculos com altivez e dignidade, centenários de cenas que moldaram a história em tantas outras histórias e fragmentos de vida, e aos que a eles se amalgamam através de infinitos atos e compassos, lhes rendemos homenagens. Pois é assim que o Theatro Deodoro passa a pertencer ao seleto grupo de úteros longevos e férteis de novidades e inquietações. Não poderia ser dife-rente. Afinal, ele tem em seu frontispício o diretor do coro das musas, Apolo, permanentemente a nos dar boas-vindas.
Aos que povoam tal universo, e mesmo aos que o orbitam, o privilégio em tê-lo de portas abertas é real e incalculável. Cronologicamente, encontrei-o quando sua trajetória já me fazia percebê-lo como meta, sonho a ser alcançado, abrigo futuro, êxtase de uma longa jornada individual em busca da tão sonhada musculatura artística. Porém, humanamente, desde a primeira vez em que fui ungido pelo liquido sensorial deste útero de inquietações, hibrido por natureza, onde não repousa paradoxos, foi desnecessário ater-me às questões cognitivas para intuir a importância do Theatro Deodoro na construção do nosso caráter artístico e cultural. Sobretudo, pelo o que me era evidente: sua imensa possibilidade em causar transformação em cada artista ou fruidor, posto que não se entra e se sai do Deodoro sem um novo valor agre-gado, algo que não tínhamos antes ou desconhecíamos ter.
Uma tarefa impossível seria a busca do distanciamento necessário à imparcialidade tão próxima da razão. Admito minha incapacidade em ser imparcial com o Theatro Deodoro. Assim, arisco-me à vulnerabilidade, como qualquer artista quando exposto à luz da ribalta. E como ser imparcial com algo tão gênese, tão quente e acolhedor, como suponho ser um útero? Antes, prefiro a noção do privilégio. De me supor um privilegiado. Portanto, extremamente grato, haja mérito ou não. O fato é que não é apenas o espelho dos camarins que me revela tal privilegio, ao me por de cara com a vocação e sina. É bem mais simples, embora múltiplo. Não tenho dúvidas; admito o privilégio porque tantas vezes experimentei sensações e emoções diversas que, até então, só o Theatro Deodoro poderia me proporcionar. Atuei nos bastidores, atuei como artista, e, principalmente, atuo como fruidor. São emoções diferentes, intensas e na proporção exata a cada atividade. Poder estar sob os prismas palco e platéia, luz e sombra, provocador e provocado, sempre sob o manto histórico que habita cada palmo do Theatro Deodoro, é realmente um privilégio.
Tantas e quantas histórias eu poderia contar aqui. Algumas, vividas por mim. Outras que resistiram ao tempo através da mais antiga das tradições. Todas, no entanto, tendo como cenário os diversos encontros e desencontros no arcabouço pulsante do mais importante e significativo equipamento para expressão da cultura alagoana. Do foyer à coxia, do palco à platéia, do proscênio aos camarotes, a música dos alagoanos se fez presente. Na contagem: um dois três e..., que pre-cede as canções, a música produzida em Alagoas encontrou ressonância pela caixa cênica da casa apolínea e se projetou platéia a fora, até chegar aos corações. Histórias outras que antecedem às batidas de Molière, quando o teatro se pre-para para a vida, também povoam o imaginário dionisíaco.
Não me interessa as incertezas do amanhã, pois sei que em qualquer época a estética singular da música alagoana, pela diversidade que lhe é peculiar, continuará a ser alimentada e fortalecida pelo grande útero apolíneo do Theatro Deodoro. As pessoas, o tempo, atuam e passam. Ele permanecerá. Em essência, não carecemos romper o cordão umbilical com a gênese. Então, que se abram as cortinas para o futuro.

* é jornalista e músico

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A verdade punida

*Hélio Fernandes

Punição, prisão, bloqueio dos bens, para Assange, fundador do site WikiLeaks. A perseguição, financiada pelo Mastercard, Visa e um banco suíço.
Apesar de tudo o que acontece no mundo o fato de maior repercussão continua a ser o  vazamento de 250 mil documentos confidenciais. Já disse aqui, logo que surgiu o fato, que a minha posição em relação a isso era de inveja.
Continuo com o sentimento em relação ao que chamam de vazamento. Mas como passaram a perseguir, a violentar, a bloquear bens e até a prender Julian Assange, fundador do site, ninguém teria dúvida sobre a minha posição. A perseguição contra Assange é burra, contraditória, puramente vingativa. E visivelmente capitalista, aí sem explicação.
Burra: Não conseguirão nada contra os vazamentos, depois de abertas as comportas. É impossível fechá-las.
Contraditória:  Os que dizem defender a Liberdade de Imprensa e de Expressão, se jogam “contra um homem que luta pela transparência", usam para isso, todos os meios e modos, os mais sórdidos, covardes e inescrupulosos. E Julian Assange, da prisão, assiste a depredação e tentativa de destruição de sua imagem.
Vingativa: Essa é até mais visível, e a participação capitalista é representada pelas empresas que não tinham nada a ver com os “vazamento”, mas começaram o financiamento da perseguição.
Falo do Mastercard e do Visa (altos representativos do sistema financeiro) e mais um banco da Suíça, cujo nome não sei, lógico, publicaria com todas letras.

PS – Concluindo: estou a favor dos “hackers” que fazem represálias. Para eles toda a minha simpatia, e junto, o protesto e revolta.
PS2 – Por que prisão, extradição e bloqueio de bens? Isso é intimidação, violência, “um recado”, que ele não seguirá: “Pare com o vazamento, você será solto e seus bens, liberados e devolvidos”. O mundo não aceitaria a concessão, repetindo, que Assange responderia com a continuação da publicação das revelações.

* é jornalista

Dedicatória

Liberdade de expressão ameaçada

Esta edição de O Tagarela é dedicada ao jornalista sueco Julian Assange (foto), criador e editor do site Wikileaks, persegui-do por dar transparência a documentos que o podero-so governo norte-america-no não teve competência de mater em segredo. Por meio dessa documentação, o mundo ficou sabendo, por exemplo, das atrocidades cometidas pelas forças armadas dos EUA contra o povo afegão, quando milhares de inocentes foram  mortos somente para que as tropas fossem treinadas em tiro ao alvo humano. Crimes de guerra tão graves quanto os paraticados nos campos de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial, e que não podem ficar impunes. Assenge representa, hoje, o próprio espírito da liberdade de expressão.

Conclusão:

O "império" só se satisfará quando colocar ASSANGE a ferros em Guantánamo. Quantas empresas farão hoje um "Seguro de Vida" para ele?

Muito interessante a ação hacker e a multiplicação de sites-espelho...a INTERNET não pode ser dominada... amordaça-da... não pode... flui como as idéias...

Nunca foi novidade que todas as embaixadas, de todos os países, tem "adidos culturais" cuja missão é espionar e conspirar...sob a imunidade diplomática..

Imbecis, tolos, os que morreram pela boca ao falar aos estrangeiros e incompetentes os que deveriam guardar seus segredos..e os deixam vazar... 250.000 telegramas com informações para a "matriz"...a maior parte "fofocas do grand monde"...as mais fortes não foram publicadas...só foram expostas pouco mais de 1.000...por que será que o "Império"está "nos cascos"?...por que contrataca com tanta virulencia? O que ainda estará por vir?

Lembrando: qual foi mesmo a gigante ocidental que propôs métodos para "cadastrar" judeus nos "campos de extermínio" à serviço dos nazistas? Tudo é possível.

Música tema desta edição

 Geraldo Vandré - Aroeira
1967 - TV Record

Santo de Casa

Entrevista com “Celsinho Metralhadora”

Fisicamente, sua baixa estatura não traduz a grandeza do seu caráter. Radialista por formação, ele é um dos 16 irmãos vivos de uma prole de 23 filhos. Seu pai, hoje com 93 anos, e sua mãe, com 87, devem se orgulhar de José Celso Vieira Leite, 47 anos, carinhosamente conhecido como “Celsinho Metralhadora” por causa de seu jeito rápido de falar. Servidor público estadual há 27 anos, pode ser considerado um patrimônio vivo do IZP. Pela retidão, pela probidade no cumprimento do dever e, sobretudo, pela incansável dedicação ao Instituto Zumbi dos Palmares, é com muita honra que ele é o nosso entrevistado do Santo de Casa de hoje.
Senhor de suas convicções, “Celsinho Metralhadora” é um dos poucos que pode afirmar: “Eu não estou querendo ser melhor do que ninguém. Mas, eu sou o que eu sou e assumo aquilo que eu faço e digo.”
Na entrevista concedida ao O Tagarela, ele não se furta em emitir sua opinião sobre nada. Como, por exemplo, quando afirma que os diretores do IZP deveriam ser escolhidos por uma comissão de funcionários da autarquia. O leitor certamente irá se surpreender com a lucidez e a opinião desse ser humano e servidor exemplar.

O Tagarela - Celso, qual a sua função no IZP?
Celso – Sou assistente administrativo, mas atualmente fui convidado para ficar no áudio, ajudando, dando suporte à TV. Eu coloco o microfone lapela nos entrevistados, tenho o maior cuidado com os equipamentos, sou responsável por pegar câmera e guardar câmera no momento da gravação dos programas da TV Educativa. Eu acho que sou um bom profissional. Não procuro fazer nada que desagrade ao colega ou algum superior.

O Tagarela – Você tem 17 anos de IZP. Nesse tempo, o que mudou para melhor ou para pior no IZP?
Celso – Eu perdi bons amigos aqui no IZP. Como o Álvaro Tojal, como o Jorge Vilar, que me deu o maior apoio para eu poder ser operador de áudio na época. Passado o tempo, chegaram vários presidentes, sempre nomeados pelo governo. Em minha opinião, queria que a presidência do IZP ficasse a critério do governo, mas que os demais diretores fossem nomeados por uma comissão de funcionários do IZP. Para mim, seria muito mais bonito e viável. Com a Associação participando.

O Tagarela – Nesse ponto da entrevista Celso, com sua tradicional rapidez de raciocínio, não deu tempo para que uma nova pergunta fosse feita e foi logo dizendo o que vem a seguir.
Celso – Ainda bem que o ex-governador Ronaldo Lessa teve essa visão política de ter um complexo de comunicação, juntando a TVE, a Difusora e Educativa FM. Para mim, uma grande importância do governo foi realizar o concurso e criar o IZP.

O Tagarela – Como remanescente do ITEAL, como você observou as mudanças após o concurso público? Pois saiu e chegou muita gente.
Celso – Essa mudança foi boa por uma parte. No começo foi bom porque todos os funcionários, a maioria era de novatos e vieram com aquela vontade de trabalhar, mas só que através das pendências judiciais ficou faltando funcionários. Comenta-se que houve muito apadrinhamento. Não posso afirmar porque não tenho provas. Mas, era o que se comentava nos corredores daqui. Perdemos muitos profissionais que se dedicavam muito ao IZP, mas tiveram que sair por causa do concurso. Nosso governo atual, o Teotônio Vilela, ele me desculpe a expressão, (?) mas a maioria dos funcionários ficou desmotivada para trabalhar, porque alguns colegas que eram das suas funções, através de apadrinhamento, assumiam outras funções e não assumiam a função para a qual prestaram concurso. Com isso, outros colegas foram se abusando, se abusando principalmente porque houve uma defasagem salarial depois que o Téo assumiu. Porque os que tinham apadrinhamento sempre tinham a vantagem de pegar setores melhores.

O Tagarela – A gente percebe que você gosta e tem um cuidado, um zelo, uma preocupação pelo IZP. O que está precisando ser feito aqui para que você não se preocupe tanto?
Celso – Tudo o que eu falo eu gosto de assumir aquela postura, a minha ética como ética profissional. O que está faltando aqui é seriedade. Seriedade das pessoas que administram o IZP. Eu quero que coloque cada um, realmente, na sua função, vamos dizer assim.

O Tagarela – Sabemos que você fez o curso de radialista. Você já chegou a atuar no IZP como tal?
Celso – Com locução não, porque não me deram oportunidade. Eu tive a oportunidade de assumir só como operador de áudio. Passei um ano e meio, logo quando entrei aqui, na época do Jorge Vilar, na Educativa FM.

O Tagarela – Você acha que a criação da Associação foi de fato um ganho para os servidores do IZP, ou pouco adiantou?
Celso – Adiantou bastante. Quando eu ajudei o pessoal no movimento para conseguirmos salários melhores, entramos na justiça, fomos ao palácio, fomos enganados pelo governo e até hoje não conseguimos nada. É por isso que a maioria dos funcionários se revoltou, por causa disso.

O Tagarela – Se você tivesse hoje o poder de fazer o que você pensa, no IZP, quais seriam as suas prioridades? Suas primeiras providências?
Celso – Você para administrar tem que ser um bom administrador. Se eu estou precisando de material humano, físico, equipamentos para trabalhar, eu, como presidente desse Instituto, vou diretamente ao governador, que é a fonte principal onde eu tenho que buscar recursos para as nossas rádios e para a nossa TV. Espero que agora, com a continuidade do governo Téo Vilela, ele veja com bons olhos o nosso Instituto Zumbi dos Palmares.

O Tagarela – Você acredita que o governo, agora nessa segunda gestão, vai cumprir, vai honrar com aquilo que prometeu em campanha? Por exemplo, acertar a questão salarial do servidor público do Estado? Você acredita nisso?
Celso – Eu, José Celso, com minha opinião própria, eu não acredito. Eu só acredito depois que eu ver no meu contracheque, se ele vai realmente cumprir.

O Tagarela – Se hoje você tivesse que escolher um lugar para trabalhar, você escolheria o IZP?
Celso – Com certeza. Para mim, aqui é a minha segunda casa. Eu sempre me dediquei. Comecei a trabalhar na limpeza, fiz o curso de radialista, passei a ser operador de áudio e sempre, até hoje, estou ajudando. Eu nunca pensei no lado negativo. Sempre procurei ajudar e crescer. Tanto a mim quanto aos meus companheiros de trabalho. Eu não estou querendo ser melhor do que ninguém, mas eu sou o que eu sou e assumo aquilo que eu faço e o que eu digo.

O Tagarela – Você acessa O Tagarela?
Celso – Eu acesso sempre que eu posso. Esse Tagarela gerou muita polêmica. Eu nunca ouvi dizer que um jornal editado por nossos companheiros aqui, com o João Marcos e o Mácleim, ia gerar tanta polêmica por causa de um simples jornal que realmente é a voz e a palavra dos funcionários do Instituto Zumbi dos Palmares. Aqui a gente expressa nossas idéias, nosso pensamento e a nossa ideologia.

O Tagarela – O que vem a seguir foi um segundo momento em que o nosso entrevistado desandou a falar sem que fosse necessário perguntá-lo sobre o assunto. Portanto, para que a entrevista cheque na íntegra aos leitores do Tagarela, não poderíamos omitir esta fala.
Celso – Eu não queria que houvesse esses confrontos entre amigos. Querer punir alguns colegas da nossa Associação. Aquela assembléia [de 28 de outubro, anulada pela Justiça] foi uma grande armação. Porque toda a polêmica só foi ligada mais ao jornal, que não tem nada a ver. O jornal, O Tagarela não pertence à Associação, agora queriam que derrubasse todo mundo da Associação, por quê? Vamos acabar com essa desunião aqui da gente, vamos procurar mais ser amigos e lutar, todos nós, por uma causa que é melhorar o Instituto Zumbi dos Palmares.

O Tagarela – Para finalizar, uma pergunta que temos feito a todos os entrevistados aqui do Santo de Casa: você tem alguma sugestão a fazer para O Tagarela?
Celso – Se fosse possível, seria bom a impressão desse jornal, para circular aqui no IZP.

Reportagem

Justiça anula assembléia golpista.
14 participantes processados

Por ferir frontalmente as regras que delimitam os requisitos básicos para sua convocação, a “Assembléia Geral” solicitada por um grupo de servidores do IZP, e realizada no dia 28 de outubro, nos estúdios da TVE, foi anulada pela Jus-tiça. O magistrado julgou totalmente procedente as argumentações dos advoga-dos dos editores do jornal O Tagarela, que foram as seguintes:

1º - A pauta “Destituição de toda a Coordenação da ATRIZP”, não está prevista no Estatuto;
2º - Para que a pauta tivesse validade, seria preciso convo-car uma Assembléia Geral para modificar o Estatuto, inse-rindo nele o artigo que trata deste assunto (a destituição);
3º - Ao ser convocada uma Assembléia Geral para tratar da modificação do Estatuto, teria que ser respeitado um prazo de quinze dias entre a convocação e a reunião;
4º - Todos os atos praticados pela “Assembléia Geral” (ilegal) de 28 de outubro de 2010 são inválidos, inclusive os que deram causa às renúncias de João Marcos Carvalho e Maclém Damasceno aos cargos que ocupam na Coordenação da ATRIZP.

O processo

Diante da decisão judicial, e considerando que a “Assembléia Geral” do dia 28 de outubro atendia apenas aos interesses pessoais de meia dúzia de serviçais da campanha do atual governador do Estado, que se sentiram prejudicados pelas denúncias do O Tagarela com relação atuação irregular deles dentro do IZP; considerando que ficou cabalmente provado que o jornal O Tagarela não pertence à ATRIZP e que também não representa o pensamento geral de seus associados, como alegava os convocadores da “Assembléia” ilegal; e considerando que os mesmos não conseguiram provar haver documento onde a Coordenação da ATRIZP teria manifestado seu apoio a determinado candidato a governador na eleição realizada em outubro último, os editores de O Tagarela decidiram processar, por danos morais, 14 dos 32 servidores que assinaram a convocatória de 28 de outubro.
Estão excluídos do processo os sete participantes que não concordaram com as ilegalidades e as atitudes cometidas pelos golpistas; os seis que se sentiram enganados pelo duplo sentido com que a convocatória foi redigida; e os cinco que procuraram os editores e assinaram termo de retratação. Portanto, os 14 restantes estão sendo denunciados à Justiça.
O processo em questão já está praticamente finalizado, devendo seguir para o fórum antes do recesso judiciário do final do ano. Entre os documentos anexados a ele está a íntegra do áudio da gravação da Assembléia. Os advogados pedem ao juiz que seja arbitrada indenizações de R$ 8 mil reais para os réus com nível superior; R$ 4 mil para os de nível médio, e R$ 2 mil para os de nível elementar.
Nesse sentido, O Tagarela convida o leitor a reler o editorial da edição nº 2, “Golpe com data marcada”, onde denuncia a pretensão dos golpistas, e reitera seu repúdio a todos que afrontam a democracia através de fórmulas criminosas, visan-do interesses pessoais.

Fracassa tentativa de golpe contra a ATRIZP

Na última semana de outubro, quatro servidores que participaram da campanha de Teotônio Vilela para o governo do Estado afixaram, nas dependências do IZP, um documen-to com 32 assinaturas convocando os demais colegas para uma Assembléia Geral da Associação dos Trabalhadores (ATRIZP), a ser realizada às 11 horas da manhã de 28 de outubro, no estúdio da TVE, tendo como pauta a “Des-tituição de toda a Coordenação da ATRIZP”.
No dia, hora e local marcados, o grupelho apareceu para dizer que o motivo da ação se devia ao fato de o jornal O Tagarela emitir juízo de valor sobre determinados fatos sem o consentimento da maioria dos associados.
A argumentação esdrúxula caiu por terra quando os editores do jornal demonstraram que a publicação não está vinculada à ATRIZP, como eles alegavam. No afã de conseguir seus objetivos, os acusadores nem sequer tiveram o cuidado de ler o expediente de O Tagarela. Lá, os nomes dos seus editores aparecem de forma absolutamente clara. Só não vê quem não quer.
Verificando que esse argumento fora derrubado com facilidade, os golpistas tentaram outra cartada. Disseram ter um documento onde a Coordenação da ATRIZP expressava seu apoio a Ronaldo Lessa, então candidato ao governo do Estado. Outra mentira.
Na verdade, o referido documento é um manifesto redigido e aprovado na Assembléia Geral de agosto de 2009, que denuncia os principais problemas do IZP, reivindicando melhorias salariais e de condições de trabalho.
Já em agosto de 2010, o manifesto sofreu pequena atualização para enfocar o problema da torre da TVE. Em seguida, ele foi entregue às coordenações de campanha de Teotônio Vilela, Tony Clóvis e Ronaldo Lessa, por ocasião da participação deles no debate político promovido pelas rádios Difusora e Educativa. Por causa de um desencontro, somen-te o candidato Mário Agra deixou de receber o documento.
Ao ler o manifesto durante a “Assembléia”, os próprios golpistas verificaram que o mesmo não traz nenhuma frase de apoio a qualquer candidato.
Inconformado com suas seguidas derrotas na reunião, o grupelho – organizado e agindo nos moldes dos comitês nazistas de execução sumária, aonde a sentença já vem pronta, com o acusado previamente condenado – tentou uma última e desesperada manobra: destituir apenas uma parte da Coordenação. No caso, os editores de O Tagarela. Mas a “esperteza” falhou de novo. Os editores renunciaram aos seus respectivos cargos na Coordenação e inviabilizaram o mote principal do projeto golpista, desmontando, assim, o circo tosco que eles chamaram de “Assembléia”.

Espertalhões em ação

A verdadeira intenção dos golpistas ao convocar a “Assembléia Geral”, foi tentar calar O Tagarela. Nos seus dois primeiros números, o jornal incomodou um certo trio (composto por dois radialistas e um produtor), quando denunciou que a Rádio Educativa, que é uma emissora públi-ca, estava sendo usada como palanque eleitoral de Teotônio Vilela, por meio de programa chapa-branca, criado especialmente para esse fim, e com a evidente complacência dos gestores.
A notícia irritou profundamente o locutor Elias Ferreira, que juntamente com o produtor Rodrigo Rodrigues e o radialista Marcos Vasconcelos, comandavam o programa Educativa em Revista, que por fazer escancarada apologia ao atual governo estadual, ficou conhecido entre os servidores do IZP e os ouvintes da rádio como “Ninho Tucano”.
Assim que o esquema foi denunciado, os espertalhões, aliados a Samuel Limeira e seus “discípulos” (gente de confiança da Casa Grande), passou a percorrer os corredores das emissoras arregimentando espertinhos, incautos e mal intencionados. Conseguiram 32 assinaturas. Porém, alguns disseram, mais tarde, que assinaram a convocatória pensando se tratar de uma assembléia que discutiria problemas ocasionados pela renúncia coletiva da Associação (fato que jamais ocorreu), uma vez que o documento, redigido com a intenção de provocar duplo sentido aos menos atentos, levava à essa interpretação.
Derrotados e desmoralizados em suas ações e intenções, os cabeças do golpe e seus seguidores, num total de 14 elementos, responderão na Justiça pelos seus atos.
Assim que a ação for vencida, o O Tagarela pretende usar o dinheiro das indenizações para desenvolver atividades culturais, recreativas e esportivas para os servidores do IZP. É também intenção dos editores promover shows com artistas da terra e realizar palestras e conferências com profissionais de áreas diversas e que possam contribuir para o aperfeiçoamento intelectual dos trabalhadores da Casa.

Fogo Amigo

Novela em produção

No início do próximo ano, O Tagarela passa a publicar O Raposão sinistro e suas antas amestradas, novela em quadrinhos que trata do caráter dos bichos que vivem numa floresta desen-cantada. Na próxima edição, a apresentação do elenco. Não percam!



Com nossa grana, não!

O competente serviço de contra-informação de O Tagarela informa que a Casa Grande escalou a advogada auxiliar da Procuradoria Jurídica do IZP para defender os 14 servidores processados por este jornal. Espera-se que os honorários da moça sejam pagos pelos réus, e não pelos cofres públicos. Estamos de olho!!!

França vetado

Fala-se, nos corredores da Casa, que o controvertido radialista França Moura, candidato derrotado a deputado estadual na eleição de três de outubro último, pleiteava ser o diretor-presidente do IZP. Mas seu nome teria sido vetado por Alberto Sextafeira, que deverá ocupar uma influente assessoria no próximo governo Téo, já que não alcançou votos suficientes para continuar na Assembléia Legislativa. Dizem que Sexta avaliou França como “pouca urna” (ele teve 3 mil votos) para reivindicar o cargo. Nesse meio tempo, nenhum candidato melhor avaliado apareceu para se credenciar na disputa.

Toma lá da cá

Enquanto isso, a luta por cargos no IZP está acirrada. Os radialistas Elias Ferreira, Marcos Vasconcelos e Carlos Madeiro, mais o produtor Rodrigo Rodrigues e o cinegrafista Samuel Limeira, esperam ser compensados pelos relevantes serviços prestados à campanha tucana desenvolvida dentro do IZP.
Assim que a vitória de Téo foi confirmada, eles “montaram acampamento” no palácio para aguardar, em loco, as nomeações para os cargos que tanto almejam. Deles, Samuel foi o primeiro a ser beneficiado com uma função gratificada. Uma de suas missões em favor do “esquema” foi tentar desestabilizar a Associação dos Trabalhadores, da qual ele mesmo faz parte. Incrível!

A força da galega

Apenas com um telefonema, Kátia Born, secretária estadual de Ciência e Tecnologia, mandou Marcelo Sandes, diretor-presidente do IZP, arranjar uma função gratificada para a amiga Edna Conrado. Pedido feito, pedido atendido. A nomeação da moça já foi publicada no Diário Oficial. Simples assim.

Aprendendo a lição

Certa coleguinha anda ansiosa por um cargo de chefia. Seu trabalho chapa-branca agrada a Casa Grande e faz o IZP ser vendido ao público externo como Ilha da Fantasia. Muitos acham que ela, em sua atividade engajada, busca inspiração num famoso marqueteiro alemão, que ensinou que uma mentira repetida milhares de vezes acaba virando verdade.

Descolada

Especialista em articular nos bastidores, e sempre próxima ao poder, há uma outra coleguinha bem cotada para ser contemplada com cargo de confiança. Sua atuação escandalosamente parcial como “juíza” da assembléia golpista que tentou destituir a Coordenação da ATRIZP, lhe credenciou junto a Casa Grande.

Dízimo

Além de ter servido de palanque tucano durante a última campanha eleitoral, o estúdio da Educativa FM foi utilizado para editar programas evangélicos para terceiros. Enquanto isso acontecia nas fuças da Diretoria, funcionários que fazem os programas normais da Casa tinham que esperar a ilha esvaziar para tocar o serviço. É o fim da picada!

Enrolando a professora?

Alguém sabe informar se a competente jornalista Andréa Moreira, que recentemente ministrou um curso de capacitação e atualização para jornalistas no IZP, já foi paga pelo seu trabalho? Ela disse que só vai expedir os certificados quando receber a grana combinada, no que está coberta de razão. O Tagarela vai continuar acompanhando o caso.

Estamos apurando

A Editoria de O Tagarela informa aos leitores que está apurando com todo o cuidado as dezenas de documentos, fotos e vídeos com denúncias enviados à nossa redação. Quando esse trabalho for concluído, tudo que for verdade vai virar notícia.

Casa da mãe Joana

É comum ver pessoas estranhas a casa circulando à vontade nas dependências das emissoras do IZP. Como se não bastasse, muitas vezes locutores e operadores trabalham à noite ou de madrugada sem ninguém nas portarias. E erra quem pensa que o batalhão da PM lotado no CEPA faz rondas por ali.

Assalto

Há um mês, um assaltante invadiu o prédio da Administração, mas foi barrado pelo segurança de uma empresa vizinha, que o impediu de levar equipamentos. O vigia, exausto, dormia a sono solto. É que o coitado trabalha em três empregos. O salário de fome que recebe no IZP mal dá para comer. Em defesa do nosso colega, citamos o jurista Carlos Bonhomme, que diz: “Não se pode exigir de um trabalhador mal remunerado e mal nutrido a mesma agilidade e diligência de um homem sadio e bem compensado”.

Gambiarras

Enquanto os produtores de rádio e TV sofrem com a falta de equipamentos elementares para produzir seus programas, o IZP gasta uma grana preta pagando diárias de viagem, nem sempre bem explicadas e justificadas. Neste contexto, tem gente que prefere viver das diárias do que lutar por reajustes salariais e melhores condições de trabalho.

Panelinha

A TVE conta com três motoristas. Mas apenas um é escalado para viajar e receber diárias. Os dois restantes são preteridos sem qualquer explicação. O Tagarela consultou o Ministério do Trabalho e a Ouvidoria do Estado. Quer saber se isso é certo. A resposta vem em breve.

Os campeões em diárias

Diárias são recursos públicos pagos para custear despesas feitas por servidores no exercício de suas atividades profissionais, como alimentação, hospedagem, transporte, gastos com combustível etc... Aplicá-las como comple-mentação salarial é um ato indecente, uma enganação que vicia o servidor e incentiva os menos dotados de censo corporativo a abdicar da luta por melhores salários.Tem mais: o pagamento de diárias se torna criminoso quando a justificativa sobre o trabalho realizado é falsa. Leia, na próxima edição, matéria sobre a farra das diárias no IZP, e saiba quem são os campeões na área.

Torre

Parece que a administração do IZP não está levando a sério a investigação que está sendo feita sobre a “torre de papel”, construída na entrada da TVE. O Sindicato dos Jornalistas está acompanhando o caso de perto. Novidades podem emergir antes do final do ano.

O Traíra em ação

Ganha um doce quem adivinhar quem foi o “Queridinho da Casa Grande” que tentou passar um abaixo-assinado entre os companheiros de trabalho visando remover da área colegas que não lhe são simpáticos. A investida só não avançou porque alguém mais lúcido avisou que essa atitude poderia dar em (outro) processo. Ainda sim, teve gente mal intencionada que assinou.

Aspone em fúria

Chega à nossa redação a informação de que um cabra furibundo arrancou das recepções das emissoras de rádio e TV os avisos que anunciavam a chegada e O Tagarela (3). Para ele, recomendamos Diazepan (tarja preta), acompanhado de uma boa camisa de força.

Chamem o ladrão

Na manhã de segunda-feira, 6/12, cumprindo suas obrigações no IZP, nossa querida Dona Anunciada “vacilou”. Assim, R$ 400,00 (quatrocentos reais) sumiram de sua bolsa. Mas, por que vacilou Dona Anunciada? Ora, simplesmente porque fez o que qualquer pessoa faria se não trabalhasse no IZP, nos tempos atuais. Ela deixou sua bolsa, por alguns minutos, em cima da geladeira e saiu da cantina. Foi o suficiente para que alguém resolvesse subtrair, fortuitamente (em outros ambientes chiques se chamaria furto), seu dinheirinho suado. Aliás, como também fizeram, a menos de 15 dias, dessa vez no período da tarde, com o celular da mesma Dona Anunciada, sem nada anunciar. É louvável a iniciativa de se cotizar – dizem que até o presidente do IZP participou – para restituir o prejuízo da Dona Anunciada. Porém, se não houver apuração desses crimes – Sim, seria um crime em qualquer outro lugar – a questão será apenas saber qual a próxima vítima. Já que para algumas mentes izepenianas, a culpa foi da Dona Anunciada, que vacilou. Se não querem chamar a polícia, por causa da lama, chamem, pelo menos, o ladrão.

A Índia é aqui

Companheiros que fazem a programação musical da Educativa FM têm recebido reiteradas reclamações de alguns ouvintes sobre a falta de locução em determinados horários da emissora. São pessoas que gostam de saber quem é o intérprete e o compositor das músicas que são executadas. Algumas dizem até que esperam o final do bloco musical só para saber quem são os autores e intérpretes. Quando isso não acontece, ficam chateados. O fato é que os locutores parecem fazer parte de uma casta privilegiada da emissora. Com exceção do horário vespertino, comandado com profissionalismo e assiduidade por Ítalo Bianc, nos demais, nunca se sabe se haverá locutor e se os mesmos farão o que são pagos para fazer. Ou seja: ao final dos blocos musicais, informar o nome do intérprete, da música, e dos composi-tores. Só resta mesmo reclamar ao bispo, pois o diretor da rádio sequer ouve a programação da própria emissora que dirige. Passa a maior parte do tempo ouvindo sua coleção de músicas internacionais em seu já famoso HD particular.

TVE dá uma forcinha a Hollywood

A TV Educativa está sucateada, com equipamentos obsoletos, sem técnicos para produzir externas, sem salários compatíveis e etc. Isso todo mundo sabe. Só não dá para entender porque, se, ao que parece, a TV Educativa – já faz algum tempo – deve ter feito uma parceria com Hollywood para fazer o marketing das suas superproduções. Até prova em contrário, o IZP deve ter recebido parte dos 500 milhões de dólares que, segundo o jornal Los Angeles Times, são os gastos somados entre produção, distribuição e marketing para o blockbuster Avatar, por exemplo.
Como se não bastasse a ocupação ditatorial das salas de cinema pelos filmes americanos, a TVE ainda propagandeia a produção Hollywoodiana em flagrante desrespeito ao seu propósito que é e deveria ser fomentar a cultura brasileira. Das duas uma: ou é inteiramente nonsense, essa atitude da TVE, ou é perniciosa mesmo e alguém deve estar ganhando com isso, além da indústria cinematográfica americana, é claro. Será que a reclamação dos cineastas brasileiros sobre a falta de espaço para a produção nacional não procede? Será que com o avanço tecnológico já se pode exibir dois filmes ao mesmo tempo nas telonas? Vai ver que é por isso que a TVE resolveu dar uma forcinha para Hollywood.

Companheiros

Petrônio, o dono da bola

Petrônio Soares, profissio-nal responsável pelo arqui-vo musical da velha Difuso-ra, é também o coordena-dor do valente esquadrão izepeniano de futsal. O time joga todas as quintas-feiras, às 20 horas, na qua-dra do ginásio de esportes do CEPA.
Na condição de treinador, jogador, ropeiro e dono da bola, Petrônio afirma que o time da casa está disputando amistosos com a finalidade de se credenciar para futuras competições. A única preocupação do técnico é com o local da concentração dos atletas.
“Já avisei que boteco e cabaré não são lugares adequados para um time se concentrar”, lembra o chefe, que mandou colocar uma faixa do vestiário dizendo: “Cachaça não é água. Se beber, não jogue!”.
Petrônio, que proibiu a imprensa de filmar ou fotografar os treinos secretos do seu time, prefere não revelar a esca-lação da equipe para a próxima partida. Mas O Tagarela, sempre atento, descobriu que a poderosa representação do IZP atuará com: Mão de Onça, Torpedo, Jamanta, Medonho e Seboso. Já o adversário, o Pedreira FC, entra na quadra com Sete Dedos, Sinistro, Cascavél, Parabelo e Peixeira.
O árbitro da partida, Chico Picadinho, ainda não está confirmado. Sua presença depende da boa vontade do delegado Florípedes, que prometeu soltá-lo da cadeia horas antes do jogo. Caso isso não ocorra, Nabuco Trovão, carcereiro do 39º Distrito, o substituirá na arbitragem.
O policiamento da partida será compartilhado entre o Esquadrão de Cavalaria da Polícia de Choque e a Sétima Bateria de Artilharia Pesada. Cerca 29 viaturas do SAMU estarão de plantão, além de 11 padres, especialistas em extrema-unção. Petrônio garante que o jogo será amistoso.


Godoy na luta

Afrânio Godoy, diretor-geral da Rádio Difusora, e radialis-ta de boa safra, literalmen-te soa a camisa em favor da emissora. Na noite quen-te de sábado (11/12) lá es-tava ele trabalhando duro durante o show de aniver-sário de cinco anos do pro-grama do Letinho do Forró, atração diária da Pioneira, e que lotou o teatro Linda Mascarenhas (foto).
Apesar das dificuldades do governo entender que emissoras públicas precisam de apoio, Godoy faz das tripas coração para equacionar problemas técnicos, arranjar gasolina para os carros de reportagem e lidar com a má vontade de alguns que acham que serviço público é sinônimo de férias permanente.

Retaguarda competente

Edson Silva e Alessandro “Calcinha” Barros (Educativa FM) e Washington Carvalho, Odilon Costa Neto, Claudemir Henrique, Jacson Pinheiro e Marcelo Marinho (Difusora), são os anjos da guarda dos locutores e apresentadores. A rapaziada é fera nos botões. Sem esquecer, claro, do velho Zé Lins, mestre de todos eles.

Coisa boa

Estênio Reis, veterano locutor, é a grande atração nas tardes da velha Difusora. Articulado, culto, claro, objetivo e sem apelar para puxa-saquismo, tem sido um contraponto à falta de novos programas jornalísticos, que sempre marcaram a gloriosa história da Pioneira.

Notícias Paralelas

Impunidade à vista


Depois de receber o apoio da imprensa e de todas as entidades sérias que repre-sentam a sociedade civil alagoana para que condu-zisse o processo contra os deputados taturanas, o juiz Gustavo de Souza Lima (foto) causou perplexidade ao se afastar das ações acessórias que gravitam em torno do processo principal, o que pode atrasar o julgamento em 20 anos.
Em entrevista à repórter Anna Cláudia Almeida, do portal Cada Minuto, o advogado Adriano Argolo, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, disse que não há argumento que justifique esse afastamento “altamente irresponsável e que não condiz com a atitude de um magistrado”. Gustavo demorou três anos para dizer que não tem competência para julgar o caso.
Já para o presidente da OAB-AL, Omar Coelho, a atitude do juiz é uma afronta à sociedade e “põe em cheque a credibi-lidade da própria Justiça Alagoana”.
Em tempo: Gustavo de Souza Lima é irmão de Guilherme Souza Lima, secretário de Gestão Pública. Aquele que disse que o governo estava pronto para dar aumento ao IZP, e depois desmentiu na maior cara de pau.

Os intocáveis

Em matéria de poder e gente graúda envolvida, o cartel do combustível em Alagoas nada deve à máfia italiana. Enquanto em outros lugares do Brasil a Polícia Federal já desarticulou esquemas do mesmo gênero, aqui a bandidagem da área continua intocável.

Destino ingrato

Campeã em mortalidade infantil, violência, evasão escolar, produção de políticos corruptos e exportação de pistoleiros, Alagoas prepara-se para conviver mais quatro anos com uma Assembléia Legislativa ainda infestada de taturanas e gabirus, cuja diversão principal é engendrar planos para sugar o dinheiro do pobre povo desta sofrida terra.

Abrindo as cortinas

Quem ficou de saia justa com as revelações do site WikiLeaks, que tem causado estragos considerá-veis às relações exteriores dos EUA, foi Nelson Jobim (foto), minis-tro da Defesa (que infelizmente continua no governo Dilma). Os documentos secretos disponibiliza-dos pelo portal revelam aquilo que muita gente já sabia: o cara é um defensor intransigente dos inte-resses norte-americanos no Brasil. Em outras palavras: um pau mandado.
Mas o que há de bom nas revelações do site que está abalando o mundo, é saber que a política exterior brasileira está (até 1/1/11) nas boas mãos do competente nacionalista Celso Amorim.
Como disse Chico Buarque em outubro passado: “O Brasil deixou falar fino com Washington sem precisar falar grosso com a Bolívia ou o Paraguai”.

Cada um em seu lugar

Ciclovias e calçadas mais amplas foram uma das poucas coisas boas construídas em Maceió nos últimos anos. Mas é preciso que a Prefeitura as fiscalize. Pedestres e ciclistas precisam aprender a respeitar os espaços determinados para cada um. Atualmente, a bagunça é geral.

Empregão

Quase todo deputado alagoano sonha em se aposentar como Conselheiro do Tribunal de Contas – mais conhecido co-mo “Tribunal de Faz de Contas” – Lá, o duodécimo é próprio, a mordomia é vitalícia, o salário é faraônico, e ninguém fis-caliza ninguém. É o abrigo perfeito para todo aquele que quer botar o burro na sombra. Aliás, burros são certos eleitores, que abrem espaço para que essa casta de marajás nade no dinheiro público.

Com a corda no pescoço

Ciço forrozeiro, que atualmente responde pela Prefeitura de Maceió, está cada vez mais enrolado no escândalo do lixo. Se a Justiça agir com rigor, o aliado de Téo Vilela pode ser cassado já em 2011. Nunca é demais lembrar que o prefeito também está indiciado na Operação Taturana, quando a PF descobriu que deputados desviaram de R$ 302 milhões do já saqueado erário das Alagoas.

Segurança reforçada 

Tribuna do sertão
Segunda colocada na elei-ção para Câmara Federal, Célia Rocha (foto), ex-pre-feita de Arapiraca, está de orelha em pé. Às vésperas da posse, ela teme ser víti-ma de atentado. Não há como esquecer que, em 1998, Ceci Cunha, sua ami-ga, foi brutalmente assas-sinada juntamente com o marido e mais dois parentes no dia da diplomação como deputada federal. Com Chico Tenório como suplente, os temores de Célia são absolutamente per-tinentes.

 2012 vem aí!

Se o mundo não acabar em 21 de dezembro de 2012, como prevêem alguns profetas, a eleição para Prefeitura de Maceió promete emoções. Ronaldo Lessa já prepara o time. O ex-governador, que venceu Téo em Maceió nos dois turnos da eleição deste ano, quer unir antigos companheiros na luta comum contra o neoliberalismo, pratica tucana que pretende dissolver o funcionalismo público, substituindo-o por serviços terceirizados comandados pelos amigos.

Usineiro condenado

Por manter em suas propriedades trabalhadores rurais em condições de semi-escravidão, o usineiro alagoano Edgar Antunes Neto, que fez generosas contribuições financeiras à campanha de Téo Vilela ao governo do Estado, foi con-denado pelo juiz Sérgio Wanderley, da 2ª Vara Federal de Alagoas.
A pena, convertida em multa e prestação de serviços à comunidade, é considerada branda pelos cortadores de cana, que reivindicam a desapropriação das terras da usina onde o crime foi praticado, conforme determina a lei.
“A semi-escravidão de trabalhadores só vai ter fim no Brasil quando a Justiça tiver coragem de tirar terras dos usineiros que praticam este tipo de monstruosidade”, avalia João Valente Dias, cinegrafista do IZP.

No páreo

Segundo suplente de deputado federal em sua coligação, o delegado aposentado da PF, Pinto de Luna, é candidatíssimo a vereador por Maceió em 2012. O homem que pulverizou os taturanas está radicado em Alagoas e atualmente se dedica à advocacia e aos esportes marítimos.


Encontrado acusado de torturar Dilma

O repórter Ricardo Galhardo, do Portal IG, localizou e entrevistou, no Guarujá, litoral paulista, Maurílio Lopes Lima, tenente-coronel reformado do Exército, acusado pelo Ministério Público Federal de participar, em 1969-70, da morte de seis presos políticos e torturar outras 20 pessoas, entre elas a presidenta eleita Dilma Rousseff, na época com 22 anos, e um bebê de apenas quatro meses, filho de um militante de esquerda. Leia a entrevista completa em:


Loiraça de 1,90m, olhos azuis e corpo escultural, a zagueira sueca do Umea IK, Johanna Frisk (foto), que recentemente visitou Alagoas ao lado da namorada Marta (a melhor jogadora de futebol do mundo), causou frison por onde esteve. Simpática, mas discreta, a jovem derreteu cora-ções de rapazes... e moças.



Apoio geral

Todos os alagoanos de bem fecham questão em defesa da continuidade da 17ª Vara Criminal, única instância do judiciário estadual com disposição de combater o crime organizado de frente. Os que defendem sua extinção marcham na contramão dos interesses na sociedade.

Jornalista ameaçado

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal) divulgou nota manifestando sua preocupação com as recentes ameaças sofridas pelo repórter do portal de notícias Tudo na Hora, Kelmenn Freitas, ocorridas após publicação de matéria sobre a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Jequiá da Praia, em 26 de novembro. A entidade manifestou total soli-dariedade ao profissional e reiterou sua posição em defesa da liberdade de imprensa e do livre exercício da profissão, além de cobrar das autoridades constituídas a rigorosa investigação das ameaças sofridas pelo jornalista e o respectivo veículo de comunicação.

Diploma de Jornalista

A Proposta de Emenda Constitucional que restabe-lece a obrigatoriedade de diploma de curso superior em Comunicação Social para o exercício da pro-fissão de jornalista deve ser votada, no Senado, na terça-feira (14/12). Dirigen-tes da FENAJ e do Grupo de Trabalho da Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma convocam a categoria e suas entidades à mobilização pela aprovação da matéria.
Os membros da Executiva da FENAJ mostraram-se otimistas após fazerem um balanço, juntamente com o senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE) e Inácio Arruda (PCdoB/CE), respectivamente autor e relator da PEC 33/09. “Há indicativos de que já contamos com o apoio de mais de 60 senadores”, comemorou Celso Schröder, pre-sidente da Fenaj. “Mas isso deve ser confirmado e ampliado com a intensificação dos contatos dos Sindicatos dos Jornalistas com os senadores de suas regiões e isso é tarefa urgente”, observou.
A urgência deve-se à avaliação de que a sessão no plenário do Senado de terça-feira terá alto quorum, tendo em vista que serão votadas matérias como a indicação do atual diretor de Normas do Banco Central, Alexandre Tombini, para a presidência da instituição e a proposta de novo Código de Processo Civil (CPC). “Por isso até lá nossa palavra de ordem é mobilizar e trabalhar muito”, expressa Schröder, ressal-tando o objetivo de intensificar o contato com os senadores apoiadores da PEC do Diploma e com os indecisos para garantir suas presenças no plenário do Senado no dia 14.

Isenção zero

Durante a cerimônia que o reconduziu ao cargo de procurador-geral de Justiça (30/11), Eduardo Tavares, dirigindo-se ao governador Téo Vilela, disse: “Temos o prazer de sermos parceiros desse governo, que reputamos sério”. Ué, o Ministério Público não deveria ser um órgão isento? A declaração pegou mal na área jurídica. Agora, qualquer advogado vai ter motivos para crer que o MP alagoano vai fechar os olhos para os crimes que por ventura forem cometidos pelo Estado "parceiro".

Lá, é diferente

O assassinato do prefeito de Jandira mostra que no estado de São Paulo (a exemplo de Alagoas) também se cometem crimes políticos. A diferença é que lá a polícia e justiça agem rápido, e os assassinados e mandantes são presos, condenados e vão para cadeia.

Municípios alagoanos

Segundo o IBGE, os dez municípios mais ricos de Alagoas são, pela ordem: Maceió, Arapiraca, Marechal Deodoro, São Miguel dos Campos, Coruripe, Palmeira dos Indios, Rio Largo, União dos Palmares, Penedo e Delmiro Gouveia.


Homenagem

Por meio destas fotos, o O Tagarela homenageia todos os profissionais de imprensa que com altivez, coragem e profissionalismo, cobriram, no final de novembro, a ocupação policial da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.


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