domingo, 12 de dezembro de 2010

Artigos

Recado aos picaretas

*João Marcos Carvalho 

Dirijo-me aos picaretas de plantão para anunciar que O Tagarela segue firme e forte em sua missão de de-nunciar os desvios de con-duta e outras bandalheiras que possam prejudicar o servidor honesto ou man-char a reputação do IZP.
Uma reunião realizada na Casa Grande no final da manhã de quinta-feira (9/12) mostrou que os atingidos pelas denúncias do jornal querem a cabeça de seus editores e, por isso, procuram nos estatutos e nas leis fórmulas que possam fulminar este pequeno periódico, junto com quem o edita.
Falando em meu nome, devo alertar a esse grupelho (cada vez mais diminuto), que este escaldado jornalista que vos escreve não teme pressões, cara feia, processos ou trabuco. Com 38 anos de profissão, já encarei calúnias, difamações, censuras, pistoleiros e cadeia. A essa altura na vida, não é uma malta desbaratada que vai me fazer recuar na luta.
Mas a longa trajetória pelas estradas do ofício que abraço desde muito jovem, ensinou-me a não subestimar os inimigos. Saibam todos que O Tagarela e seus editores estão absolutamente preparados, no campo jurídico, para enfrentar as armadilhas sórdidas plantadas pelo caminho. E que não vacilaremos em utilizar os meios legais disponíveis para revidar aos ataques e buscar a punição dos detratores.
A extraordinária repercussão de nossas duas primeiras edições nos anima a prosseguir na jornada em busca da ética e da transparência que o IZP deve ter enquanto mídia pública, vigiando para que os interesses do povo alagoano prevaleçam acima dos caprichos de ocasião de grupos ou governos.
A enorme quantidade de apoios que temos recebido, seja pessoalmente ou por meio de correio eletrônico e telefone-mas, mostra que estamos no rumo certo. A solidariedade cada vez maior de companheiros e companheiras à nossa causa é aditivo fundamental no combustível de nossas convicções.
Isso tudo demonstra que a maioria dos profissionais da Casa é composta de gente da melhor índole, e que sabe dife-renciar claramente lutas coletivas, de interesses pessoais. Quem age e pensa assim terá sempre O Tagarela como porta-voz. Este jornal veio para ficar e fortalecer o bloco dos que não transigem com a picaretagem e nem se rendem às maracutaias ou ao oportunismo barato.
Sei que para muitos o serviço público representa um meio de botar o burro na sombra e de se locupletar. Mas, aqui no IZP, quem ousar trilhar por essa vereda obscura terá, com certeza, O Tagarela fungando na nuca. Como o beija-flor que tenta apagar o incêndio da floresta, faremos a nossa parte. Se um dia cairmos, cairemos lutando, certos de termos travado o bom combate.

* jornalista, radialista e historiador


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Cortinas para o futuro

* Mácleim Damasceno

Não me interessa as incertezas do amanhã, pois sei que em qualquer época a estética singular da mú-sica alagoana, pela diversi-dade que lhe é peculiar, continuará a ser alimentada e fortalecida pelo grande útero apolíneo.
Não é preciso ser oriental para se apropriar de um profundo sentimento de respeito, carinho e admiração aos que atingiram a longevidade. Não, não é preciso. O tempo – e tudo que lhe é implícito – nos orienta ao rumo certo. Ao sermos capazes de acumular grãos de conhecimentos e transformá-los em sabedoria prenhe de passado, fortalecemos o presente como uma ampulheta cujo espaço-tempo se refaz a cada inversão, materializando a lógica imperceptível à moldura do imaterial. Aos que ultra-passaram os umbrais dos séculos com altivez e dignidade, centenários de cenas que moldaram a história em tantas outras histórias e fragmentos de vida, e aos que a eles se amalgamam através de infinitos atos e compassos, lhes rendemos homenagens. Pois é assim que o Theatro Deodoro passa a pertencer ao seleto grupo de úteros longevos e férteis de novidades e inquietações. Não poderia ser dife-rente. Afinal, ele tem em seu frontispício o diretor do coro das musas, Apolo, permanentemente a nos dar boas-vindas.
Aos que povoam tal universo, e mesmo aos que o orbitam, o privilégio em tê-lo de portas abertas é real e incalculável. Cronologicamente, encontrei-o quando sua trajetória já me fazia percebê-lo como meta, sonho a ser alcançado, abrigo futuro, êxtase de uma longa jornada individual em busca da tão sonhada musculatura artística. Porém, humanamente, desde a primeira vez em que fui ungido pelo liquido sensorial deste útero de inquietações, hibrido por natureza, onde não repousa paradoxos, foi desnecessário ater-me às questões cognitivas para intuir a importância do Theatro Deodoro na construção do nosso caráter artístico e cultural. Sobretudo, pelo o que me era evidente: sua imensa possibilidade em causar transformação em cada artista ou fruidor, posto que não se entra e se sai do Deodoro sem um novo valor agre-gado, algo que não tínhamos antes ou desconhecíamos ter.
Uma tarefa impossível seria a busca do distanciamento necessário à imparcialidade tão próxima da razão. Admito minha incapacidade em ser imparcial com o Theatro Deodoro. Assim, arisco-me à vulnerabilidade, como qualquer artista quando exposto à luz da ribalta. E como ser imparcial com algo tão gênese, tão quente e acolhedor, como suponho ser um útero? Antes, prefiro a noção do privilégio. De me supor um privilegiado. Portanto, extremamente grato, haja mérito ou não. O fato é que não é apenas o espelho dos camarins que me revela tal privilegio, ao me por de cara com a vocação e sina. É bem mais simples, embora múltiplo. Não tenho dúvidas; admito o privilégio porque tantas vezes experimentei sensações e emoções diversas que, até então, só o Theatro Deodoro poderia me proporcionar. Atuei nos bastidores, atuei como artista, e, principalmente, atuo como fruidor. São emoções diferentes, intensas e na proporção exata a cada atividade. Poder estar sob os prismas palco e platéia, luz e sombra, provocador e provocado, sempre sob o manto histórico que habita cada palmo do Theatro Deodoro, é realmente um privilégio.
Tantas e quantas histórias eu poderia contar aqui. Algumas, vividas por mim. Outras que resistiram ao tempo através da mais antiga das tradições. Todas, no entanto, tendo como cenário os diversos encontros e desencontros no arcabouço pulsante do mais importante e significativo equipamento para expressão da cultura alagoana. Do foyer à coxia, do palco à platéia, do proscênio aos camarotes, a música dos alagoanos se fez presente. Na contagem: um dois três e..., que pre-cede as canções, a música produzida em Alagoas encontrou ressonância pela caixa cênica da casa apolínea e se projetou platéia a fora, até chegar aos corações. Histórias outras que antecedem às batidas de Molière, quando o teatro se pre-para para a vida, também povoam o imaginário dionisíaco.
Não me interessa as incertezas do amanhã, pois sei que em qualquer época a estética singular da música alagoana, pela diversidade que lhe é peculiar, continuará a ser alimentada e fortalecida pelo grande útero apolíneo do Theatro Deodoro. As pessoas, o tempo, atuam e passam. Ele permanecerá. Em essência, não carecemos romper o cordão umbilical com a gênese. Então, que se abram as cortinas para o futuro.

* é jornalista e músico

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A verdade punida

*Hélio Fernandes

Punição, prisão, bloqueio dos bens, para Assange, fundador do site WikiLeaks. A perseguição, financiada pelo Mastercard, Visa e um banco suíço.
Apesar de tudo o que acontece no mundo o fato de maior repercussão continua a ser o  vazamento de 250 mil documentos confidenciais. Já disse aqui, logo que surgiu o fato, que a minha posição em relação a isso era de inveja.
Continuo com o sentimento em relação ao que chamam de vazamento. Mas como passaram a perseguir, a violentar, a bloquear bens e até a prender Julian Assange, fundador do site, ninguém teria dúvida sobre a minha posição. A perseguição contra Assange é burra, contraditória, puramente vingativa. E visivelmente capitalista, aí sem explicação.
Burra: Não conseguirão nada contra os vazamentos, depois de abertas as comportas. É impossível fechá-las.
Contraditória:  Os que dizem defender a Liberdade de Imprensa e de Expressão, se jogam “contra um homem que luta pela transparência", usam para isso, todos os meios e modos, os mais sórdidos, covardes e inescrupulosos. E Julian Assange, da prisão, assiste a depredação e tentativa de destruição de sua imagem.
Vingativa: Essa é até mais visível, e a participação capitalista é representada pelas empresas que não tinham nada a ver com os “vazamento”, mas começaram o financiamento da perseguição.
Falo do Mastercard e do Visa (altos representativos do sistema financeiro) e mais um banco da Suíça, cujo nome não sei, lógico, publicaria com todas letras.

PS – Concluindo: estou a favor dos “hackers” que fazem represálias. Para eles toda a minha simpatia, e junto, o protesto e revolta.
PS2 – Por que prisão, extradição e bloqueio de bens? Isso é intimidação, violência, “um recado”, que ele não seguirá: “Pare com o vazamento, você será solto e seus bens, liberados e devolvidos”. O mundo não aceitaria a concessão, repetindo, que Assange responderia com a continuação da publicação das revelações.

* é jornalista

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