domingo, 12 de dezembro de 2010

Reportagem

Justiça anula assembléia golpista.
14 participantes processados

Por ferir frontalmente as regras que delimitam os requisitos básicos para sua convocação, a “Assembléia Geral” solicitada por um grupo de servidores do IZP, e realizada no dia 28 de outubro, nos estúdios da TVE, foi anulada pela Jus-tiça. O magistrado julgou totalmente procedente as argumentações dos advoga-dos dos editores do jornal O Tagarela, que foram as seguintes:

1º - A pauta “Destituição de toda a Coordenação da ATRIZP”, não está prevista no Estatuto;
2º - Para que a pauta tivesse validade, seria preciso convo-car uma Assembléia Geral para modificar o Estatuto, inse-rindo nele o artigo que trata deste assunto (a destituição);
3º - Ao ser convocada uma Assembléia Geral para tratar da modificação do Estatuto, teria que ser respeitado um prazo de quinze dias entre a convocação e a reunião;
4º - Todos os atos praticados pela “Assembléia Geral” (ilegal) de 28 de outubro de 2010 são inválidos, inclusive os que deram causa às renúncias de João Marcos Carvalho e Maclém Damasceno aos cargos que ocupam na Coordenação da ATRIZP.

O processo

Diante da decisão judicial, e considerando que a “Assembléia Geral” do dia 28 de outubro atendia apenas aos interesses pessoais de meia dúzia de serviçais da campanha do atual governador do Estado, que se sentiram prejudicados pelas denúncias do O Tagarela com relação atuação irregular deles dentro do IZP; considerando que ficou cabalmente provado que o jornal O Tagarela não pertence à ATRIZP e que também não representa o pensamento geral de seus associados, como alegava os convocadores da “Assembléia” ilegal; e considerando que os mesmos não conseguiram provar haver documento onde a Coordenação da ATRIZP teria manifestado seu apoio a determinado candidato a governador na eleição realizada em outubro último, os editores de O Tagarela decidiram processar, por danos morais, 14 dos 32 servidores que assinaram a convocatória de 28 de outubro.
Estão excluídos do processo os sete participantes que não concordaram com as ilegalidades e as atitudes cometidas pelos golpistas; os seis que se sentiram enganados pelo duplo sentido com que a convocatória foi redigida; e os cinco que procuraram os editores e assinaram termo de retratação. Portanto, os 14 restantes estão sendo denunciados à Justiça.
O processo em questão já está praticamente finalizado, devendo seguir para o fórum antes do recesso judiciário do final do ano. Entre os documentos anexados a ele está a íntegra do áudio da gravação da Assembléia. Os advogados pedem ao juiz que seja arbitrada indenizações de R$ 8 mil reais para os réus com nível superior; R$ 4 mil para os de nível médio, e R$ 2 mil para os de nível elementar.
Nesse sentido, O Tagarela convida o leitor a reler o editorial da edição nº 2, “Golpe com data marcada”, onde denuncia a pretensão dos golpistas, e reitera seu repúdio a todos que afrontam a democracia através de fórmulas criminosas, visan-do interesses pessoais.

Fracassa tentativa de golpe contra a ATRIZP

Na última semana de outubro, quatro servidores que participaram da campanha de Teotônio Vilela para o governo do Estado afixaram, nas dependências do IZP, um documen-to com 32 assinaturas convocando os demais colegas para uma Assembléia Geral da Associação dos Trabalhadores (ATRIZP), a ser realizada às 11 horas da manhã de 28 de outubro, no estúdio da TVE, tendo como pauta a “Des-tituição de toda a Coordenação da ATRIZP”.
No dia, hora e local marcados, o grupelho apareceu para dizer que o motivo da ação se devia ao fato de o jornal O Tagarela emitir juízo de valor sobre determinados fatos sem o consentimento da maioria dos associados.
A argumentação esdrúxula caiu por terra quando os editores do jornal demonstraram que a publicação não está vinculada à ATRIZP, como eles alegavam. No afã de conseguir seus objetivos, os acusadores nem sequer tiveram o cuidado de ler o expediente de O Tagarela. Lá, os nomes dos seus editores aparecem de forma absolutamente clara. Só não vê quem não quer.
Verificando que esse argumento fora derrubado com facilidade, os golpistas tentaram outra cartada. Disseram ter um documento onde a Coordenação da ATRIZP expressava seu apoio a Ronaldo Lessa, então candidato ao governo do Estado. Outra mentira.
Na verdade, o referido documento é um manifesto redigido e aprovado na Assembléia Geral de agosto de 2009, que denuncia os principais problemas do IZP, reivindicando melhorias salariais e de condições de trabalho.
Já em agosto de 2010, o manifesto sofreu pequena atualização para enfocar o problema da torre da TVE. Em seguida, ele foi entregue às coordenações de campanha de Teotônio Vilela, Tony Clóvis e Ronaldo Lessa, por ocasião da participação deles no debate político promovido pelas rádios Difusora e Educativa. Por causa de um desencontro, somen-te o candidato Mário Agra deixou de receber o documento.
Ao ler o manifesto durante a “Assembléia”, os próprios golpistas verificaram que o mesmo não traz nenhuma frase de apoio a qualquer candidato.
Inconformado com suas seguidas derrotas na reunião, o grupelho – organizado e agindo nos moldes dos comitês nazistas de execução sumária, aonde a sentença já vem pronta, com o acusado previamente condenado – tentou uma última e desesperada manobra: destituir apenas uma parte da Coordenação. No caso, os editores de O Tagarela. Mas a “esperteza” falhou de novo. Os editores renunciaram aos seus respectivos cargos na Coordenação e inviabilizaram o mote principal do projeto golpista, desmontando, assim, o circo tosco que eles chamaram de “Assembléia”.

Espertalhões em ação

A verdadeira intenção dos golpistas ao convocar a “Assembléia Geral”, foi tentar calar O Tagarela. Nos seus dois primeiros números, o jornal incomodou um certo trio (composto por dois radialistas e um produtor), quando denunciou que a Rádio Educativa, que é uma emissora públi-ca, estava sendo usada como palanque eleitoral de Teotônio Vilela, por meio de programa chapa-branca, criado especialmente para esse fim, e com a evidente complacência dos gestores.
A notícia irritou profundamente o locutor Elias Ferreira, que juntamente com o produtor Rodrigo Rodrigues e o radialista Marcos Vasconcelos, comandavam o programa Educativa em Revista, que por fazer escancarada apologia ao atual governo estadual, ficou conhecido entre os servidores do IZP e os ouvintes da rádio como “Ninho Tucano”.
Assim que o esquema foi denunciado, os espertalhões, aliados a Samuel Limeira e seus “discípulos” (gente de confiança da Casa Grande), passou a percorrer os corredores das emissoras arregimentando espertinhos, incautos e mal intencionados. Conseguiram 32 assinaturas. Porém, alguns disseram, mais tarde, que assinaram a convocatória pensando se tratar de uma assembléia que discutiria problemas ocasionados pela renúncia coletiva da Associação (fato que jamais ocorreu), uma vez que o documento, redigido com a intenção de provocar duplo sentido aos menos atentos, levava à essa interpretação.
Derrotados e desmoralizados em suas ações e intenções, os cabeças do golpe e seus seguidores, num total de 14 elementos, responderão na Justiça pelos seus atos.
Assim que a ação for vencida, o O Tagarela pretende usar o dinheiro das indenizações para desenvolver atividades culturais, recreativas e esportivas para os servidores do IZP. É também intenção dos editores promover shows com artistas da terra e realizar palestras e conferências com profissionais de áreas diversas e que possam contribuir para o aperfeiçoamento intelectual dos trabalhadores da Casa.

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