Fisicamente, sua baixa estatura não traduz a grandeza do seu caráter. Radialista por formação, ele é um dos 16 irmãos vivos de uma prole de 23 filhos. Seu pai, hoje com 93 anos, e sua mãe, com 87, devem se orgulhar de José Celso Vieira Leite, 47 anos, carinhosamente conhecido como “Celsinho Metralhadora” por causa de seu jeito rápido de falar. Servidor público estadual há 27 anos, pode ser considerado um patrimônio vivo do IZP. Pela retidão, pela probidade no cumprimento do dever e, sobretudo, pela incansável dedicação ao Instituto Zumbi dos Palmares, é com muita honra que ele é o nosso entrevistado do Santo de Casa de hoje.
Senhor de suas convicções, “Celsinho Metralhadora” é um dos poucos que pode afirmar: “Eu não estou querendo ser melhor do que ninguém. Mas, eu sou o que eu sou e assumo aquilo que eu faço e digo.”
Na entrevista concedida ao O Tagarela, ele não se furta em emitir sua opinião sobre nada. Como, por exemplo, quando afirma que os diretores do IZP deveriam ser escolhidos por uma comissão de funcionários da autarquia. O leitor certamente irá se surpreender com a lucidez e a opinião desse ser humano e servidor exemplar.
O Tagarela - Celso, qual a sua função no IZP?
Celso – Sou assistente administrativo, mas atualmente fui convidado para ficar no áudio, ajudando, dando suporte à TV. Eu coloco o microfone lapela nos entrevistados, tenho o maior cuidado com os equipamentos, sou responsável por pegar câmera e guardar câmera no momento da gravação dos programas da TV Educativa. Eu acho que sou um bom profissional. Não procuro fazer nada que desagrade ao colega ou algum superior.O Tagarela – Você tem 17 anos de IZP. Nesse tempo, o que mudou para melhor ou para pior no IZP?
Celso – Eu perdi bons amigos aqui no IZP. Como o Álvaro Tojal, como o Jorge Vilar, que me deu o maior apoio para eu poder ser operador de áudio na época. Passado o tempo, chegaram vários presidentes, sempre nomeados pelo governo. Em minha opinião, queria que a presidência do IZP ficasse a critério do governo, mas que os demais diretores fossem nomeados por uma comissão de funcionários do IZP. Para mim, seria muito mais bonito e viável. Com a Associação participando.O Tagarela – Nesse ponto da entrevista Celso, com sua tradicional rapidez de raciocínio, não deu tempo para que uma nova pergunta fosse feita e foi logo dizendo o que vem a seguir.
Celso – Ainda bem que o ex-governador Ronaldo Lessa teve essa visão política de ter um complexo de comunicação, juntando a TVE, a Difusora e Educativa FM. Para mim, uma grande importância do governo foi realizar o concurso e criar o IZP.O Tagarela – Como remanescente do ITEAL, como você observou as mudanças após o concurso público? Pois saiu e chegou muita gente.
Celso – Essa mudança foi boa por uma parte. No começo foi bom porque todos os funcionários, a maioria era de novatos e vieram com aquela vontade de trabalhar, mas só que através das pendências judiciais ficou faltando funcionários. Comenta-se que houve muito apadrinhamento. Não posso afirmar porque não tenho provas. Mas, era o que se comentava nos corredores daqui. Perdemos muitos profissionais que se dedicavam muito ao IZP, mas tiveram que sair por causa do concurso. Nosso governo atual, o Teotônio Vilela, ele me desculpe a expressão, (?) mas a maioria dos funcionários ficou desmotivada para trabalhar, porque alguns colegas que eram das suas funções, através de apadrinhamento, assumiam outras funções e não assumiam a função para a qual prestaram concurso. Com isso, outros colegas foram se abusando, se abusando principalmente porque houve uma defasagem salarial depois que o Téo assumiu. Porque os que tinham apadrinhamento sempre tinham a vantagem de pegar setores melhores. O Tagarela – A gente percebe que você gosta e tem um cuidado, um zelo, uma preocupação pelo IZP. O que está precisando ser feito aqui para que você não se preocupe tanto?
Celso – Tudo o que eu falo eu gosto de assumir aquela postura, a minha ética como ética profissional. O que está faltando aqui é seriedade. Seriedade das pessoas que administram o IZP. Eu quero que coloque cada um, realmente, na sua função, vamos dizer assim.O Tagarela – Sabemos que você fez o curso de radialista. Você já chegou a atuar no IZP como tal?
Celso – Com locução não, porque não me deram oportunidade. Eu tive a oportunidade de assumir só como operador de áudio. Passei um ano e meio, logo quando entrei aqui, na época do Jorge Vilar, na Educativa FM.O Tagarela – Você acha que a criação da Associação foi de fato um ganho para os servidores do IZP, ou pouco adiantou?
Celso – Adiantou bastante. Quando eu ajudei o pessoal no movimento para conseguirmos salários melhores, entramos na justiça, fomos ao palácio, fomos enganados pelo governo e até hoje não conseguimos nada. É por isso que a maioria dos funcionários se revoltou, por causa disso.O Tagarela – Se você tivesse hoje o poder de fazer o que você pensa, no IZP, quais seriam as suas prioridades? Suas primeiras providências?
Celso – Você para administrar tem que ser um bom administrador. Se eu estou precisando de material humano, físico, equipamentos para trabalhar, eu, como presidente desse Instituto, vou diretamente ao governador, que é a fonte principal onde eu tenho que buscar recursos para as nossas rádios e para a nossa TV. Espero que agora, com a continuidade do governo Téo Vilela, ele veja com bons olhos o nosso Instituto Zumbi dos Palmares.O Tagarela – Você acredita que o governo, agora nessa segunda gestão, vai cumprir, vai honrar com aquilo que prometeu em campanha? Por exemplo, acertar a questão salarial do servidor público do Estado? Você acredita nisso?
Celso – Eu, José Celso, com minha opinião própria, eu não acredito. Eu só acredito depois que eu ver no meu contracheque, se ele vai realmente cumprir. O Tagarela – Se hoje você tivesse que escolher um lugar para trabalhar, você escolheria o IZP?
Celso – Com certeza. Para mim, aqui é a minha segunda casa. Eu sempre me dediquei. Comecei a trabalhar na limpeza, fiz o curso de radialista, passei a ser operador de áudio e sempre, até hoje, estou ajudando. Eu nunca pensei no lado negativo. Sempre procurei ajudar e crescer. Tanto a mim quanto aos meus companheiros de trabalho. Eu não estou querendo ser melhor do que ninguém, mas eu sou o que eu sou e assumo aquilo que eu faço e o que eu digo.O Tagarela – Você acessa O Tagarela?
Celso – Eu acesso sempre que eu posso. Esse Tagarela gerou muita polêmica. Eu nunca ouvi dizer que um jornal editado por nossos companheiros aqui, com o João Marcos e o Mácleim, ia gerar tanta polêmica por causa de um simples jornal que realmente é a voz e a palavra dos funcionários do Instituto Zumbi dos Palmares. Aqui a gente expressa nossas idéias, nosso pensamento e a nossa ideologia.O Tagarela – O que vem a seguir foi um segundo momento em que o nosso entrevistado desandou a falar sem que fosse necessário perguntá-lo sobre o assunto. Portanto, para que a entrevista cheque na íntegra aos leitores do Tagarela, não poderíamos omitir esta fala.
Celso – Eu não queria que houvesse esses confrontos entre amigos. Querer punir alguns colegas da nossa Associação. Aquela assembléia [de 28 de outubro, anulada pela Justiça] foi uma grande armação. Porque toda a polêmica só foi ligada mais ao jornal, que não tem nada a ver. O jornal, O Tagarela não pertence à Associação, agora queriam que derrubasse todo mundo da Associação, por quê? Vamos acabar com essa desunião aqui da gente, vamos procurar mais ser amigos e lutar, todos nós, por uma causa que é melhorar o Instituto Zumbi dos Palmares.O Tagarela – Para finalizar, uma pergunta que temos feito a todos os entrevistados aqui do Santo de Casa: você tem alguma sugestão a fazer para O Tagarela?
Celso – Se fosse possível, seria bom a impressão desse jornal, para circular aqui no IZP.
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