Enxaquecas de aposentado
* José Maria
Oliveira
Faz quem pode, obedece quem tem juízo (?!) - Aos que assim pensam, e na tribo, há os que adoram a
seita do amém (por motivos óbvios), declaro minha ojeriza a esse infame
teorema/tema/hino e o escambau (wisk and bowl, em inglês) quanto à
sua aplicação na prática, em português: um monte de coisas, de besteirol, inclusive. Mas,
‘falando sério’ (que Roberto Carlos não me cobre direitos autorais), este
falastrão que aqui escreve (pra quem, não sei), está quase encostando seu barco
de vida profissional, e já extrapolou os 40 anos de mares navegados e, podem
crer os incrédulos, remando além de Tabrobana. Quem teve a acuidade (argh!) de,
nas bancas escolares, ler Camões (por obrigação de cumprir o dever escolar)
deve estar lembrado do poema Os Lusíadas. E, se ‘tanto me ajudar o engenho e
arte’, estarei tagarelando por estas bandas até enfrentar os moinhos nem tão
quixotescos assim da aposentadoria compulsória, ou seja, bicorado por tucanos,
corvos e urubus de plantão, vestidos (aves se vestem de penas – pena de quem?)
e democraticamente o convite para retirar-se sem direito a ouvir os Hinos
Nacional/deAlagoas. Também, quem mandou contrariar? Nada de choro nem vela (vade
retro!) nem de certificado – de quê? Se já não há mais garantia -
produto fora da validade. Valeu: 48 anos na batalha pela vida, ainda com
conteúdo saudável, e com efeitos colaterais: 5 anos de faculdade não se
sobrepõem 620 horas de curso. Nem o curso do rio Mundaú (onde tanto me banhei
com a Nega Fulô!) vale. Calma amigos, ainda tenho alguns meses para destilar minhas
enxaquecas nos fígados, rins, corações e mentes dos muitos que desfraldam
bandeiras às mais diversas, desde que o barco que os leva aporte em porto
seguro pelos menos por quatro anos. E o tal “faz
quem pode, obedece quem tem juízo?” A
esse exército do poder de plantão (não confundir com exército de Napoleão), respondo com Eduardo Galeano:
“Os ninguém/que não são seres humanos,/são recursos humanos”... até o próximo
voto. Na tribo, que me perdoe Milton Nascimento, não se guarda amigos a sete
chaves, isto é, contrariando a canção: são colegas ‘simplesmente/e nada mais’! Também,
quem manda nãos reverenciar El-Rei? Pra quê? Ele já tem bufões da corte até
demais, e este escriba está mais para palhaço (Carequinha, Arrelia e tantos
outros estão fora disso) que para comediante. É
Ivan Lins, esse será sempre o circo... de novo (nada).
* Radialista da Educativa FM

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