quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Artigo


 Enxaquecas de aposentado

* José Maria Oliveira

Faz quem pode, obedece quem tem juízo (?!) - Aos que assim pensam, e na tribo, há os que adoram a seita do amém (por motivos óbvios), declaro minha ojeriza a esse infame teorema/tema/hino e o escambau (wisk and bowl, em inglês) quanto à sua aplicação na prática, em português: um monte de coisas, de besteirol, inclusive. Mas, ‘falando sério’ (que Roberto Carlos não me cobre direitos autorais), este falastrão que aqui escreve (pra quem, não sei), está quase encostando seu barco de vida profissional, e já extrapolou os 40 anos de mares navegados e, podem crer os incrédulos, remando além de Tabrobana. Quem teve a acuidade (argh!) de, nas bancas escolares, ler Camões (por obrigação de cumprir o dever escolar) deve estar lembrado do poema Os Lusíadas. E, se ‘tanto me ajudar o engenho e arte’, estarei tagarelando por estas bandas até enfrentar os moinhos nem tão quixotescos assim da aposentadoria compulsória, ou seja, bicorado por tucanos, corvos e urubus de plantão, vestidos (aves se vestem de penas – pena de quem?) e democraticamente o convite para retirar-se sem direito a ouvir os Hinos Nacional/deAlagoas. Também, quem mandou contrariar? Nada de choro nem vela (vade retro!) nem de certificado – de quê? Se já não há mais garantia - produto fora da validade. Valeu: 48 anos na batalha pela vida, ainda com conteúdo saudável, e com efeitos colaterais: 5 anos de faculdade não se sobrepõem 620 horas de curso. Nem o curso do rio Mundaú (onde tanto me banhei com a Nega Fulô!) vale. Calma amigos, ainda tenho alguns meses para destilar minhas enxaquecas nos fígados, rins, corações e mentes dos muitos que desfraldam bandeiras às mais diversas, desde que o barco que os leva aporte em porto seguro pelos menos por quatro anos. E o tal “faz quem pode, obedece quem tem juízo?” A esse exército do poder de plantão (não confundir com exército de Napoleão), respondo com Eduardo Galeano: “Os ninguém/que não são seres humanos,/são recursos humanos”... até o próximo voto. Na tribo, que me perdoe Milton Nascimento, não se guarda amigos a sete chaves, isto é, contrariando a canção: são colegas ‘simplesmente/e nada mais’! Também, quem manda nãos reverenciar El-Rei? Pra quê? Ele já tem bufões da corte até demais, e este escriba está mais para palhaço (Carequinha, Arrelia e tantos outros estão fora disso) que para comediante.  É Ivan Lins, esse será sempre o circo... de novo (nada). 

* Radialista da Educativa FM 

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